Acompanhamento · 8 semanas · Sono e ruminação noturna

O corpo apaga às onze da noite. A cabeça fica em horário comercial.

A conversa de hoje, o que você devia ter respondido, a conta do mês que vem. É essa hora que o acompanhamento trata, com o seu registro na mão.

Programa de 8 semanas · online ou presencial · registro semanal lido por psicólogo

Você conhece a sequência.

Cochila no sofá vendo série. Se arrasta até o quarto, deita, e acorda. O sono some no trajeto de cinco metros.

Aí começa a segunda parte. Você olha o relógio e calcula: se dormir agora, ainda dá cinco horas. Meia hora depois, quatro. Cada cálculo é uma dose de alerta, e alerta é exatamente o oposto do que produz sono.

O que te mantém acordado não é o dia de amanhã. É a conversa que você não teve hoje.

O dia inteiro tem barulho suficiente para segurar aquilo longe. Na hora de dormir acaba o barulho, e o que ficou pendente aparece por último, com a casa em silêncio.

No dia seguinte, tudo fica mais difícil do que deveria: a paciência acaba mais cedo, a decisão simples vira grande, a irritação chega antes. Não é só impressão.

Exemplos do que costuma ocupar a cabeça na hora de dormir: a conversa do dia, respostas que ficaram na garganta, contas, verificações, memórias antigas e preocupações com o futuro.

A dica que todo mundo dá, e que a diretriz desaconselha.

Sem café à tarde. Sem tela antes de dormir. Quarto escuro, silencioso, fresco. Você já ouviu, já tentou, e continuou acordado. A conclusão que sobra é que o problema é você.

Não é. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda explicitamente que higiene do sono não seja usada sozinha no tratamento da insônia crônica. É o único componente que ela desaconselha isolado. O Consenso Brasileiro de Insônia diz o mesmo em outras palavras.

  • Higiene do sono o que te ensinaram
    é prevenção, não tratamento: cuida do que atrapalha quem já dorme bem
  • Controle de estímulos recomendado pela diretriz
    desfaz a associação entre a cama e o estado de alerta
  • Janela de sono recomendado pela diretriz
    menos tempo na cama, sono mais compacto (com as travas de segurança no guia)
  • Relaxamento recomendado pela diretriz
    o corpo aceita instrução onde a cabeça não aceita
  • A hora da preocupação para a cabeça que não para
    marca hora para pensar, num horário em que pensar é útil

Se você seguiu a lista e continuou acordado, você não falhou no básico. Você aplicou uma medida de prevenção num problema que já passou dessa fase.

Ele não começa do nada. Ele se alimenta sozinho.

O que mantém você acordado às três da manhã não é o problema que iniciou a noite. É um circuito de cinco passos que se realimenta, e cada volta deixa o alerta um pouco mais alto.

  1. 01Preocupação
  2. 02Alerta no corpo
  3. 03Vigiar o sono
  4. 04O tempo distorce
  5. 05Mais preocupação

O passo 3 é o mais subestimado: olhar as horas é uma das piores coisas que se faz numa noite ruim. Cada consulta ao relógio é um cálculo, e cálculo é atividade de alerta. Você acha que está se informando; está se acordando.

A boa notícia de um circuito é que ele tem pontos de corte. O acompanhamento trabalha em três deles.

Não funcionou porque você recebeu o tratamento de outro problema.

"Insônia" é uma palavra só para cinco coisas diferentes, e cada uma se resolve por um caminho. A lista que te deram serve para uma delas. Se a sua era outra, você fez tudo certo e continuou acordado.

Veja em qual você se reconhece.

  1. 01

    Você dorme bem. Só que às três da manhã

    Não custa a pegar no sono e não acorda de madrugada. Dormiria oito horas seguidas, com prazer, se pudesse. O problema é que o seu sono só começa quando o mundo já está na segunda hora de expediente, e o despertador não negocia.

    Por que a higiene do sono não muda nada aqui: não há nada de errado com a sua higiene. O que está fora do lugar é o horário, e horário se desloca por outro caminho.

  2. 02

    O corpo está pronto. A cabeça não

    Você deita com sono, e ele passa. Começa a revisão do dia, o que você devia ter dito, a lista de amanhã. O celular entra aí, e funciona: ele ocupa o lugar do pensamento até o sono voltar.

    Por que largar o celular não resolve: ele não é a causa, é a única coisa que está fazendo o sono chegar. Tirar sem colocar nada no lugar devolve a ruminação inteira.

  3. 03

    Você acorda às três e não volta

    Adormecer não é o problema: você apaga rápido. Três, quatro horas depois está acordado e lúcido, e o resto da noite vira espera. Costuma aparecer em período de sobrecarga, junto com uma preocupação que não estava ali um mês atrás.

    Por que este não se trata como os outros: o alvo não é o adormecer, é o que acontece quando você acorda. Confundir os dois é o que faz uma técnica correta parecer inútil.

  4. 04

    Você não tem distúrbio. Você tem agenda

    Dorme rápido, dorme direto, e mesmo assim vive cansado, porque a noite tem cinco horas. Não é insônia. É o dia que não coube.

    Por que não existe técnica para isso: nenhuma habilidade de sono cria hora que não existe. Aqui o trabalho não é sobre a noite, é sobre o que ocupa as horas antes dela.

  5. 05

    Você dormiu oito horas e acordou destruído

    A conta não fecha. Oito horas numa noite e você levanta arrasado; cinco em outra e levanta bem. Quando a duração não explica o cansaço, a causa costuma estar no que acontece durante o sono, e não antes dele.

    Aqui eu não sou o profissional certo: se a conta do sono não fecha, isso pede investigação médica antes de qualquer trabalho psicológico. A primeira conversa serve para dizer isso a tempo.

E dois complicadores, que podem estar em cima de qualquer um dos cinco

Quando o sono depende de alguma coisa

Remédio, bebida, um cigarro, a televisão ligada a noite inteira. Funciona, e é por funcionar que fica difícil sair: no dia em que falta, a noite é pior do que era antes de tudo começar.

O que precisa ser dito antes de tentar: reduzir o que está sustentando o adormecer piora o sono nas primeiras noites. Quem não sabe disso desiste na terceira e conclui que não consegue.

Quando você adormece num lugar e dorme em outro

O sono chega no sofá, na poltrona, na sala. Depois vem o trajeto até a cama, e o trajeto acorda. A noite recomeça do zero, todo dia, e ninguém conta isso como insônia.

Por que este entra na lista dos fáceis: às vezes se resolve mudando onde você adormece, e dá para testar nesta semana, sem ajuda de ninguém.

Duas perguntas que valem mais que qualquer aplicativo de sono

1 Alguém já te disse que você ronca, ou que você para de respirar dormindo?

2 Quantas horas você dorme quando ninguém te acorda?

A segunda você pode responder neste fim de semana: durma sem despertador e veja a que horas o corpo acorda sozinho. Esse número é a sua necessidade real, e quase ninguém sabe qual é o seu. A primeira, se a resposta for sim, muda o encaminhamento antes de começar qualquer coisa.

Oito semanas, em três fases.

O protocolo padrão da terapia cognitivo-comportamental para insônia trabalha em 4 a 8 sessões, e a melhora costuma aparecer entre a sexta e a oitava semana. O programa segue esse desenho, e a ordem das fases não é arbitrária: cada uma só é possível porque a anterior aconteceu.

Semanas 1 e 2 medir

Antes de mudar, saber

Você registra o sono todos os dias no link do acompanhamento, e nada muda ainda. Essa fase existe por um motivo específico: a memória de quem dorme mal é sistematicamente distorcida. A noite que pareceu de duas horas quase nunca foi de duas horas, e sem o registro o ajuste seria feito em cima de um número errado.

Semanas 3 a 5 reconstruir

A parte que o texto não faz sozinho

Com o registro na mão, entram os componentes que a diretriz recomenda, ajustados ao seu caso:

  • a janela de sono, calculada e titulada
  • o controle de estímulos
  • a hora da preocupação
  • o relaxamento treinado

A janela é o componente mais forte do conjunto e o único que não se autoaplica: ela depende do seu dado e é ajustada semana a semana.

Semanas 6 a 8 sustentar

Ampliar e ficar de pé sozinho

A janela se alarga conforme a noite responde, e o trabalho passa para o que sustenta depois: o que fazer nos dias ruins, como não desmontar tudo numa semana difícil, e o plano escrito com o que o seu registro mostrou, para você seguir sem mim.

O que está incluído nas oito semanas.

Acompanhamento do sono

Um programa, não uma consulta avulsa.

  • 6 encontros de 50 minutos, online ou no consultório: semanais nas quatro primeiras semanas, quinzenais nas quatro últimas
  • Registro semanal na plataforma, por link próprio, com o gráfico da sua evolução: sono, humor, energia e o que mais o seu caso pedir
  • Leitura dos seus dados entre as sessões: é o registro que decide o ajuste da janela, não a impressão da semana
  • O guia "A Cabeça Não Desliga", entregue no primeiro encontro como material de apoio
  • Plano escrito ao final, feito a partir do que o seu registro mostrou nas oito semanas, para sustentar depois que o acompanhamento termina
R$ 2.160 programa completo de 8 semanas
Falar sobre o programa no WhatsApp

Resposta minha, não de atendente

Ninguém contrata oito semanas antes de eu conhecer o caso. A conversa serve para entender o que está acontecendo com o seu sono e dizer se este é o caminho: se aparecer suspeita de apneia, ou se outra questão precisar vir antes, você sai dela com o encaminhamento certo e sem ter contratado nada. O valor acima é do programa, e só entra em cena se ele for indicado.

Se você prefere já começar sem conversar antes, dá para marcar direto a primeira conversa, que é uma consulta de 50 minutos e custa R$ 300 online ou R$ 430 presencial. Ela é a mesma avaliação, só que com hora marcada por você.

Duração definida, desfecho aberto: em oito semanas você terá feito o percurso completo, com o registro para mostrar o que mudou. Nenhum acompanhamento sério promete um número de horas de sono, porque isso depende do caso.

O que este acompanhamento não é.

Não é um pacote com resultado prometido

O que tem prazo definido são as oito semanas e o percurso: registro, ajuste e plano final. Quantas horas você vai dormir depende do seu caso, e nenhum acompanhamento sério afirma isso antes de começar.

Não substitui investigação médica

Ronco alto, engasgo noturno ou relato de que você para de respirar dormindo pedem exame de apneia. Isso é avaliado antes, e se for o caso o encaminhamento vem primeiro.

Não mexe na sua medicação

Existe tratamento medicamentoso para insônia, ele é prescrito por médico, e essa decisão continua com quem prescreveu. O trabalho aqui é comportamental e convive com ele.

Não é monitoramento em tempo real

O registro é lido entre as sessões e discutido nos encontros. Não é um serviço de plantão, e o formulário não é canal de emergência: em situação de risco, a porta é o CVV (188) ou a emergência mais próxima.

Juliano Carmo, psicólogo clínico

Quem escreveu

Juliano Carmo é psicólogo clínico (CRP 18/7362). Pós-graduação concluída em Neuropsicologia Aplicada ao TEA; pós em TDAH e em Neuropsicologia em andamento. Mais de 2.000 pacientes atendidos, presencial em Barra do Garças/MT e online para todo o Brasil.

Este guia foi construído sobre a diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono e o Consenso Brasileiro de Insônia. As fontes vão listadas na última página, para quem quiser conferir.

Se você prefere começar sozinho.

Nem todo mundo quer ou pode entrar num acompanhamento agora. O guia existe para esse caso: ele entrega quatro dos cinco componentes, com o que dá para aplicar sem alguém lendo os seus dados.

O guia

A Cabeça Não Desliga

9 capítulos, leitura de ~35 minutos. Uma ação de dois minutos por capítulo, o cartão da noite ruim para a cabeceira, e a página de fontes com as diretrizes que sustentam cada parte.

O que ele não faz: a janela de sono, que é o componente mais forte, aparece como princípio e sem protocolo. Ela depende do seu registro e de ajuste semana a semana, e isso é trabalho de acompanhamento.

R$ 47 Quero o guia

PDF · acesso imediato · reembolso em 7 dias

Perguntas que chegam antes de começar.

Por que oito semanas, e não menos?

Porque é o desenho que a literatura sustenta. O protocolo padrão da terapia cognitivo-comportamental para insônia trabalha em 4 a 8 sessões, e a melhora costuma aparecer entre a sexta e a oitava semana. As duas primeiras semanas são de registro sem mudança, e é isso que permite ajustar a janela de sono em cima de dado real em vez de impressão.

Eu tenho insônia mesmo, ou é só estresse?

É uma das coisas que a primeira conversa serve para responder. Insônia crônica tem critérios de frequência e duração, e a mesma dificuldade aparece em ansiedade, depressão, apneia, alterações de tireoide e como efeito de medicação. Se o caso pedir outra porta antes desta, você sai da conversa sabendo qual é.

Já tentei higiene do sono e não funcionou. Vai ser mais do mesmo?

Não, e por um motivo que a diretriz internacional afirma: higiene do sono é desaconselhada como intervenção isolada. O programa trabalha sobre os componentes recomendados, com destaque para a janela de sono, que é o mais forte e o único que não se autoaplica, porque depende do seu registro e de ajuste semana a semana.

Tomo remédio para dormir. Posso fazer?

Pode. O trabalho é comportamental e convive com o tratamento medicamentoso. Qualquer mudança de prescrição continua sendo do médico que prescreveu, e nada aqui interfere nisso.

Como funciona o registro semanal?

Você recebe um link próprio e responde algumas perguntas curtas por semana: sono, humor, energia e o que o seu caso pedir. Os dados viram gráfico de evolução, são lidos entre as sessões e discutidos nos encontros. É o que substitui a pergunta "como foi sua semana?" por um dado.

E se eu já comprei o guia?

Ele continua valendo como material de apoio, e é o mesmo que entrego no primeiro encontro. Se você comprou e quer entrar no programa, me diga na conversa inicial.

Tenho TDAH. É esse programa ou o outro material?

São questões diferentes. Este trata da noite que não termina. Se a sua dificuldade é travar na hora de iniciar tarefas, o material é o "Eu Sei o Que Fazer. Eu Só Não Começo." As duas coisas coexistem com frequência, e isso também é assunto da primeira conversa.

E se a noite ruim já dura anos?

O guia reúne o que há de melhor evidência em formato de leitura, e há um limite no que um texto faz sozinho.

O tratamento de primeira linha para insônia crônica é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, reconhecida tanto pela diretriz americana quanto pelo consenso brasileiro. É um processo curto e estruturado, em que o seu sono real é registrado e os componentes são ajustados ao seu caso, semana a semana.

É esse desenho que o programa de oito semanas segue. E se o seu caso pedir acompanhamento contínuo depois, ou se a questão do sono for parte de algo maior, esse caminho existe e conversamos sobre ele.

Conhecer o acompanhamento contínuo