O que você trouxe, e o que veio junto
De um lado, o que você escreveu que veio buscar. Do outro, o que apareceu nas respostas sem você chamar de problema. O que liga os dois fica marcado como hipótese até a sessão confirmar ou derrubar.
Não é contradição. É o mesmo cérebro diante de dois sinais diferentes, e a diferença entre eles explica os onze dias.
Por que a conta fica onze dias na mesa
O sistema que transforma intenção em ação responde melhor a prazo, cobrança e consequência visível do que a "isso é importante". É por isso que se chamar de relaxado nunca resolveu nada: culpa não é prazo.
E é por isso que agenda, aplicativo e lista de tarefas funcionam por três dias. Eles organizam o que fazer. Nenhum deles dá a partida.
Isso não é metáfora motivacional. É assim que boa parte da literatura clínica passou a entender o TDAH desde os anos 1990: menos como déficit de atenção, mais como dificuldade de autorregulação e de função executiva.
Função executiva é o conjunto de operações que inclui exatamente iniciar, sustentar e organizar a ação no tempo.
Barkley, R. A. Behavioral inhibition, sustained attention, and executive functions: constructing a unifying theory of ADHD. Psychological Bulletin, 1997.
Nada disso quer dizer que você tem TDAH. Quer dizer que existe aqui uma pergunta clínica legítima, e que ela se investiga, não se resolve com mais esforço.
Você não precisa estar mal o suficiente para investigar. Tem gente que não procura ninguém por achar o próprio caso leve demais para ocupar o lugar de quem está pior. Investigar não exige gravidade: exige só a dúvida.
Reconhecer-se em algum desses pontos não define diagnóstico, nem o seu, nem o do seu filho. Define que existe uma pergunta que vale a pena investigar.
Talvez você já tenha o diagnóstico. Saiba os termos, reconheça cada padrão em você, tenha lido tudo sobre o assunto.
E siga exatamente igual.
Isso não é falha sua. Explicação, hoje, é o que mais se encontra. O que quase não existe é alguém olhando o seu caso e dizendo o que fazer na segunda-feira de manhã.
Entender é a metade fácil. A parte difícil é a conduta: o que ajustar primeiro, em que ordem, o que testar por duas semanas, o que abandonar porque não é para você.
Isso não se lê. Isso se acompanha.
A sessão comum começa assim: "e aí, como foi sua semana?". Parece inofensivo. Só que essa pergunta transfere para você a tarefa de reconstruir sete dias de memória. E memória de trabalho é parte da função executiva, justamente o que costuma estar afetado em quem procura ajuda por esse motivo.
O que acontece: você conta a última coisa, ou a pior. O resto some. O processo inteiro passa a rodar em cima de um relato que a própria dificuldade distorce.
Aqui isso não é problema seu, porque não é tarefa sua.
Humor, ansiedade, sono e rotina acompanhados com instrumentos validados, entre eles o PHQ-9 e o GAD-7, na combinação que o seu caso pede. O que a sessão usa não depende do que você conseguir lembrar na hora.
Sem "por onde a gente estava mesmo?". Cada encontro parte de onde o anterior terminou.
Plano da semana e material de apoio escritos para o seu caso, não um PDF genérico.
A sessão comum dura 50. Aqui são 90 minutos, porque ler o que a sua semana registrou e ainda trabalhar o que apareceu ali não cabe em cinquenta. O tempo a mais não é cortesia: é o que faz os três pontos acima acontecerem no mesmo encontro.
E a primeira sessão já é as duas coisas: investigação e atendimento. Você não passa três encontros preenchendo ficha antes de alguém dizer algo útil.
"Cada sessão começa com o que já está registrado da sua semana. Não tem o 'e aí, como foi?', tem ação desde o primeiro minuto."
Ele sai de um questionário que você responde antes de entrar. Não é ficha de cadastro: é o que me deixa chegar já sabendo a sua história.
Quase toda terapia começa igual. As primeiras sessões são você contando a vida, e alguém do outro lado anotando. Você sai da terceira com a sensação de ter feito uma entrevista de emprego bem longa.
Não é má vontade de ninguém. É que a informação sobre você chega devagar, na ordem em que dá, e sem lugar para ficar.
De um lado, o que você escreveu que veio buscar. Do outro, o que apareceu nas respostas sem você chamar de problema. O que liga os dois fica marcado como hipótese até a sessão confirmar ou derrubar.
Chama-se genograma, não é invenção minha, e serve para uma coisa: mostrar padrão onde a conversa mostra só episódio.
Onde você passa o tempo, o que te dá energia e o que te consome. Também tem nome: ecomapa.
Quando cada uma aconteceu, e principalmente o que veio primeiro. Muita queixa muda de significado dependendo disso.
As quatro peças abaixo são de um caso fictício, criado para demonstrar o método. Não é paciente meu, nem versão disfarçada de um. História, família e datas foram inventadas do zero.
Linha cheia é o que está documentado. Tracejada é hipótese, e fica marcada como hipótese até a sessão confirmar ou derrubar.
Chama-se genograma. Serve para mostrar padrão onde a conversa mostra só episódio.
A espessura do traço é a força do vínculo, e o tracejado é o que se perdeu. Onde você passa o tempo, e o que te consome.
O que tem data é ponto. O que não tem é faixa, e não vira ponto por conveniência.
Na sessão, isso não vira relatório. Vira as perguntas certas, na hora certa.
O trabalho começa antes de você entrar na sala. O que você contou em março continua valendo em setembro porque está registrado, não porque alguém lembrou.
Quem descobre isso na vida adulta costuma dizer a mesma frase: "eu queria um manual de mim".
É basicamente o que a devolutiva é.
A investigação não é conversa solta. Ela usa instrumentos validados e escolhidos pelo que o seu caso pede: ASRS-18 para TDAH em adulto, AQ-10 para traços do espectro, e o que mais for necessário para separar o que costuma vir junto: ansiedade, humor, sono, regulação emocional, impulsividade.
Ao final você recebe, por escrito, uma leitura do seu caso: o que foi observado, como seu funcionamento se organiza, onde a partida trava, o que já foi tentado e por que não pegou, e o que fazer com isso, em ordem de prioridade.
Não é um laudo de meia página com uma sigla no fim. É o documento que fica com você.
Quando ele precisa valer fora do consultório, é escrito no formato que escola, plano de saúde e perícia pedem: com a fundamentação, os instrumentos utilizados e as recomendações que essas instituições exigem para conseguir analisar o pedido. É isso que o avaliador do outro lado precisa ler para poder decidir.
Se o seu caso envolve avaliação neuropsicológica no TEA, é a área da pós-graduação que concluí em 2026: a leitura neuropsicológica do autismo, do rastreio à devolutiva.
É o documento em si que você precisa? Se alguém te pediu um laudo para cirurgia bariátrica, escola, plano de saúde ou perícia, existe uma página só sobre isso, com o processo e o prazo de cada finalidade.A comparação é entre dois modos de organizar o trabalho, não entre profissionais. O modelo da esquerda é competente e é o que a maior parte da formação ensina. Ele só não foi desenhado para quem tem dificuldade justamente de lembrar, organizar e sustentar.
Juliano Carmo, Psicólogo Clínico (CRP 18/7362). Atendo presencialmente em Barra do Garças/MT e online para todo o Brasil, com foco em adolescentes e adultos.
Mais de 2.000 pacientes ao longo da carreira, entre o consultório particular e a rede pública, onde fui coordenador de Saúde Mental do município. Foi lá que aprendi a diferença entre um caso difícil e um caso mal formulado.
Em 2026 concluí a pós-graduação em Neuropsicologia Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Curso atualmente pós-graduações em TDAH e em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação).
O Método 360° nasceu de uma pergunta que me incomodava: como saber, sessão a sessão, se o paciente está de fato avançando, sem depender de ele lembrar?
O consultório fica na Av. Valdon Varjão, em Barra do Garças/MT, em frente à HAVAN.
Você manda uma mensagem. Eu respondo pessoalmente, normalmente no mesmo dia. A gente conversa e vê se faz sentido marcar.
Sem contrato, sem compromisso, sem precisar decidir nada nessa hora. Os valores estão na agenda, com o que cada formato inclui; o que a conversa define é qual ritmo o seu caso pede. Sigilo garantido por lei (Código de Ética do CFP).
Sobre a agenda: acompanhar cada pessoa com registro semanal ocupa tempo fora da sessão, então o número de pacientes em acompanhamento é limitado por escolha. Fim de tarde, início da noite e sábado são os horários mais procurados.
Uma mensagem é o suficiente para começar. Eu respondo pessoalmente, normalmente no mesmo dia, e a gente vê juntos se faz sentido marcar. Sem compromisso e sem contrato.
A conta continua em cima da mesa. Ela não está lá porque você é relaxado: está lá porque ninguém nunca olhou o seu funcionamento com método e te disse o que fazer com ele. A vontade nunca foi o problema.
Não acredite em mim. Confira.
Digite CRP 18/7362 no site do CFP e confira o registro você mesmo. É a primeira coisa que eu conferiria também.